Prurido
Anal

O prurido anal é um problema comum, caracterizado por uma sensação desagradável de coceira na região anal, normalmente associada a condições benignas, mas capaz de causar um grande desconforto. É mais frequente no período noturno e no verão, acometendo mais indivíduos obesos, e com má higiene pessoal.¹

Devido ao caráter íntimo da patologia, a maioria dos pacientes não procuram assistência médica.² É mais frequente no sexo masculino, e em mulheres pode estar associado ao prurido na vulva. É mais comum entre 40 a 60 anos, mas também pode ser encontrado entre crianças e jovens. Em 60 a 90% dos casos são de causa desconhecida.²

Dentre os fatores causadores de prurido anal, destacam-se alimentação, má higiene, suor excessivo, uso de alguns medicamentos, perdas fecais, incontinência urinária e diarreia infecciosa.³ Há, no entanto, outras causas de prurido anal, tais como as doenças próprias da região do anus e reto, doenças dermatológicas, parasitose intestinal (“vermes”) e doenças infecciosas.


Diagnóstico

O diagnóstico do fator causal é extremamente importante para o tratamento do prurido.

Pode estar relacionado à ingestão de alguns alimentos (álcool, café, chá, condimentos, pimentas, temperos, corantes, conservantes, frutas cítricas), a quantidade de evacuações, a alguns medicamentos e ao estresse.³

Uso de roupas íntimas com tecido sintético, história sexual, má higiene anal, limpeza excessiva (lenços umedecidos com perfume, papel higiênico áspero), uso de cremes tópicos irritantes ou sensibilizantes (corticoides, antibióticos etc.), doenças sistêmicas (diabetes mellitus, anemia, hipertireoidismo), distúrbios psicológicos devem ser pesquisados.

A realização de exame físico geral e especializado (proctológico e ginecológico) é de grande importância.⁴


Tratamento

O tratamento do prurido anal deve ser dirigido à causa desta coceira.

Pode-se evitar alguns alimentos (condimentos, corantes, conservantes) capazes de aumentá-la e medicamentos que contribuem para episódios de diarreia e que causam irritação cutânea.

O cuidado com o prurido anal deve ser sempre realizado por um especialista, evitando assim, a automedicação, e seguido em conjunto com uma boa higiene.⁵

O paciente deve ser orientado que, quanto mais coçar a região, maior será o ferimento da pele, e assim, maior será o desejo de coçar, formando um ciclo vicioso.⁶

A região anal deve ser mantida limpa e seca, livre de quaisquer secreções ou resíduos fecais. Deve-se abolir o uso do papel higiênico e de sabonetes com substâncias possivelmente alergênicas. Evitar roupas íntimas de nylon e muito justas, dando preferência às roupas de algodão e mais folgadas. No caso das mulheres, deverá estar sempre em dia com os exames ginecológicos.

Uma causa frequente de prurido anal pode ser a infestação do parasita conhecido como “oxiúrus”. O oxiúrus é um verme pequeno, que afeta mais crianças, e sua transmissão ocorre através de água, alimentos ou objetos contaminados que são levados a boca.


Conclusões

Prurido anal é uma sensação desagradável, mas comum no sexo masculino.

É fundamental a importância de:

• Dieta balanceada, sem condimentos, corantes e conservantes. Rica em fibras e pobre em gordura animal, evitando alimentos processados (salame, mortadela etc.);
• Aumentar ingestão de líquidos e realizar atividades físicas regulares, que podem ajudar a melhorar a consistência das fezes e facilitar a evacuação;
• Evitar roupas íntimas de tecido sintético e justas, que dificultem a ventilação, tornando a região anal abafada e úmida
• Higiene anal sempre que possível, com água e sabonetes com pH adequado (pH ± 6) e, em seguida, manter a região seca;
• Evitar a automedicação e procurar um médico sempre que ocorrer;
• Conter a coceira, evitando assim machucar a pele (principalmente no período noturno);
• Pesquisar verminoses, especialmente oxiúros
• Em casos de prurido anal de outra causa, o tratamento específico deve ser instituído.

Referências Bibliográficas:
1. Sullivan ES, garnjobst WM. Pruritus ani: a practical approach. Surg Clin N Am 1978;58:505-512.
2. Markell KW, Billingham RP. Pruritus ani: etiology and management. Surg Clin N Am 2010;90:125-135.
3. Friend, W. G. (1977) The cause and treatment of idiopathic pruritus ani. Dis Colon Rectum 20, 40-42.
4. Song SG, Kim SH. Pruritus ani. J Korean Soc Coloproctol 2011;27:54-57.
5. Siddiq S, Vijay V, Ward M et al. Pruritus ani. Ann R Surg Engl 2008; 90:457-63.
6. Del Grande LM, Leme LFP, Marques FP et al. Prevalência e preditores de alterações do hábito intestinal pós-colecistectomia
videolaparoscópica. ABCD Arq Bras Cir Dig 2017;30(1):3-6. DOI:/10.1590/0102-6720201700010002)
7. Eusebio EB, Graham J, Mody N. Treatment of intractable pruritus ani. Dis Colon Rectum 1990; 33:770-2.

Autor
Carlos Walter Sobrado

  • Mestre e Doutor em Cirurgia pela Faculdade Medicina da USP
  • Prof. Assistente Doutor da Disciplina de Coloproctologia-HCFMUSP
  • Ex-Presidente Sociedade Brasileira Coloproctologia e da ACESP (Associação de Coloproctologia do Estado de São Paulo)

Unitermos: prurido anal; causas; diagnóstico; tratamento
Uniterms: pruritus ani; causes; diagnosis; treatment


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