Doença
Hemorroidária

Nos dias atuais é comum o relato de pessoas que se queixam de “hemorroidas”. Esse termo tem sido empregado de maneira equivocada para referir-se a uma condição patológica oriunda da dilatação das veias do plexo hemorroidário que são comuns ao segmento anorretal. O termo refere-se às próprias veias do plexo hemorroidário e que são comuns a todas as faixas etárias, sendo estruturas normais da anatomia humana¹.

Hemorroidas são, portanto, plexos vasculares normais do canal anal e que podem ser observadas já no início da vida embrionária. Quando dilatadas, o paciente pode relatar sintomas como prolapso, hemorragia, ardência, prurido e dor, caracterizando-se como portador da Doença Hemorroidária¹.

Embora haja um tabu na sociedade em tratar do tema, a Doença Hemorroidária é uma das afecções anorretais mais comuns do mundo, acometendo cerca de 15 milhões de pessoas por ano nos Estados Unidos, entre as quais a intervenção cirúrgica se faz necessaria em apenas 10 a 20% dos pacientes sintomáticos. Trata-se, portanto, de uma patologia com alta prevalência cujo acompanhamento junto ao médico especialista se faz necessário e de grande efetividade no tratamento².

Prova da necessidade do acompanhamento médico está nos inúmeros tratamentos clínicos ou cirúrgicos que podem ser empregados no tratamento da doença hemorroidária, cabendo ao Proctologista a escolha do tratamento mais eficiente para cada paciente³.


Tipos de Hemorroidas




Causas⁵,

As causas da Doença Hemorroidária podem ser das mais diversas. Em geral, as hemorroidas surgem ao se pressionar intensamente a parte inferior do reto por diversas razões, dentre elas:

Excesso de força ao evacuar

Permanecer sentado no vaso sanitário por longos períodos

Apresentar diarreia crônica ou constipação

Sobrepeso

Gravidez

Dieta pobre em fibras alimentares

Tosse crônica

Histórico familiar de hemorroidas

Tabagismo

Além disso, vale ressaltar que com o passar dos anos os tecidos do reto e ânus que dão sustentação às veias do plexo hemorroidário podem relaxar, enfraquecer e até expandir-se, facilitando ainda mais o aparecimento de sintomas da Doença Hemorroidária.


Sintomas⁵,

A maioria dos portadores de doenças hemorroidárias apresenta sintomas que afetam em demasia a qualidade de vida do paciente e que devem ser comunicado aos médicos para que sejam investigados adequadamente. São eles:

  • Coceira extrema ao redor do ânus;
  • Irritação e dor ao redor do ânus;
  • Vazamento involuntário de fezes;
  • Movimentos intestinais dolorosos;
  • Sangramento depois de movimento intestinal;
  • Prolapso (projeção para fora do ânus de veias do plexo hemorroidário devido ao inchaço das mesmas e que podem ser sentidas com a mão).

Vale ressaltar que caso o paciente identifique algum desses sintomas, a conduta adequada deve ser buscar acompanhamento com o Proctologista.


Diagnóstico e Tratamento⁵,

O diagnóstico da doença hemorroidária é multifatorial, pois leva em conta a história clínica detalhada, exames físico e proctológico que, em conjunto, indicaram se o paciente é portador dessa patologia ou de outras enfermidades que podem apresentar os mesmos sintomas.

Uma vez diagnosticado, o tratamento das hemorroidas se dá por cuidados no local, mudanças alimentares, tratamento medicamentoso e algumas vezes procedimentos cirúrgicos ou não cirúrgicos. Algumas medidas são consideradas benéficas ao tratamento e trazem uma melhora na qualidade de vida do paciente. Entre elas, orientações higiênicas como abolição do papel higiênico e banhos de assento com água morna, que podem diminuir significativamente a dor na região anal.

Além disso, a mudança nos hábitos alimentares com uma ingesta adequada de líquidos e fibras tem como foco diminuir a experiência traumática do portador de Doença Hemorroidária em realizar qualquer tipo de esforço evacuatório. Tal mudança nos hábitos alimentares é tão eficiente e importante que geralmente é utilizada em todos os pacientes com essa patologia.

Quanto ao tratamento farmacológico, existem opções tanto locais quanto orais e visam o alivio sintomático. Entretanto, antes de iniciar qualquer tratamento, o médico proctologista deve ser consultado afim de garantir um tratamento adequado à patologia, trazendo não só o alívio sintomático como também impedindo a evolução para casos mais graves da doença hemorroidária.


Referências Bibliográficas:
1. Johanson JF. Evidence based approach to the treatment of hemorrhoidal disease. Evid Based Gastroenterol. 2002;3(1): 26-31.
2. Bleday R, Pena JP, Rothenberger DA, Goldberg SM, Buls JG. Symptomatic hemorrhoids: current incidence and complications of operative surgery. Dis Colon Rectum. 1992; 35(5): 477-81.
3. Sardinha TC, Corman ML. Hemorrhoids. Surg Clin North Am. 2002; 82(6): 1153-67.
4. Sociedade Brasileira de Coloproctologia [Internet]. Hemorróida: diagnóstico. Projeto Diretrizes. 2005. [Cited 2015 Sep 11]. Avaliable from: http://projetodiretrizes.org.br/4_volume/14-Hemorroida-diagnostico.pdf
5. Mincis M. Gastroenterologia e hepatologia: diagnóstico e tratamento. In: Mincis M, Mincis R. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). 4. ed. São Paulo: Leitura Médica, 2008. p. 301-12.
6. Henry MACA. Diagnóstico e tratamento da doença do refluxo gastroesofágico. Arq Bras Cir Dig. 2014;27(3):210-5.


PROCTYL® - policresuleno, cloridrato de cinchocaína. Indicações: Tratamento de hemorroidas, em especial aquelas acompanhadas de inflamação e hemorragia; fissuras, prurido e eczemas anais provocados por afecções anorretais; como curativo após cirurgias proctológicas. MS - 1.0639.0111. PRSUP_0319_0819_VP e PRPO_0319_0320_VP. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.